Trabalhar no mundo da T.I. é muito bom. Mas às vezes, podemos ser pegos de surpresa e ficar desempregados de uma hora para a outra. Principalmente se você trabalha em projetos de alto risco. Aconteceu comigo no final de 2009. Passei 16 meses trabalhando em um projeto espetacular, onde a cada dia surgiam novos desafios e a equipe era muito coesa e talentosa. Era um excelente ambiente de trabalho, com uma organização hierárquica muito objetiva e moderna.
Mas o projeto era uma inovação tecnológica e precisava de aceitação dos investidores. Pois é, não houve investimentos para a continuidade dos trabalhos e o resultado foi sua suspensão do projeto. O aviso prévio coletivo veio em novembro, em dezembro a empresa fecharia as portas. E agora, o que fazer? Eu, como todos ali, trabalhava para atender necessidades de sustento minha e da minha família e para minha realização profissional. Não podia me dar ao luxo de ficar sem essas duas coisas. Já pensou natal e ano novo…
O negócio foi manter a calma e seguir em frente. Foi difícil, porque final de ano não é exatamente um período onde o mercado está abrindo vagas na área de T.I. Minha meta inicialmente era participar de processos seletivos interessantes ainda em dezembro e quem sabe estar recolocado em janeiro, no máximo. Para essa finalidade, segui as seguintes diretrizes:
1. Organizar, atualizar e divulgar o Curriculum Vitae
Atualizei meu Curriculum com base nas atividades que havia desempenhado da primeira até a última empresa onde estive. Inclui para cada empresa onde estive o motivo de saída e as conquistas pessoais/profissionais obtidas em cada passagem pelas empresas. As pessoas gostam de transparência profissional, então fiz do meu Curriculum um histórico detalhando pontos fortes, como cheguei até aqui e quais as minhas expectativas para o futuro profissional.
É interessante essa visão de conquistas profissionais para um CV. As vezes tratamos nosso CV como uma mera lista de passagens por empresas, trabalhos e estudos realizados. O CV deve ser austero e sincero, ao mesmo tempo em que tem que ser interessante de ler.
2. Acionar os Contatos (o famoso networking)
Falei para todos os amigos, conhecidos, colegas de faculdade e ex-colegas de outros trabalhos que estava em busca de uma “nova colocação no mercado”.
Aí vai uma sugestão: tente ser oportuno ao falar. Não se recomenda procurar uma pessoa com que você nunca conversou para pedir emprego. Pode ser muito estranho. Eu particularmente tenho uma rede de contatos pequena, mas mesmo assim consegui 3 entrevistas em dezembro.
É normal acontecer esse tipo de coisa: um colega meu da faculdade tinha um ex-colega de trabalho cuja nova empresa precisava de gente pra trabalhar. Resultado: consegui participar de um processo seletivo muito interessante.
3. Focalizar esforços nas vagas interessantes
Enviar CV para tudo e todos não é produtivo. Você perde seu foco e não consegue separar o joio do trigo. Só porque você se vê em uma posição de desemprego não quer dizer que “qualquer coisa serve”. Mantenha a calma, respire uma, duas, três vezes e separe as vagas que te interessam.
Envie CV para as vagas onde você se sentiria bem trabalhando. Sugiro procurar sites especializados, como o www.netcarreiras.com, por exemplo. Ali você consegue separar as vagas que tem a sua cara. Meu trabalho anterior (aquele do projeto que foi cancelado) eu consegui nesse portal de vagas. O pessoal de RH da empresa onde estou agora, encontrou meu CV no mesmo portal e acabaram me contatando. Vale a pena cadastrar-se em sites de RH especializado em T.I. e em sites de empresas que possuem boas referências.
Sim, acredite, as empresas também tem que ter boas referências entre os profissionais, então sugiro procurar boas empresas para trabalhar. Geralmente aí estão as melhores vagas.
4. Ser franco e aberto nas entrevistas
Vá tranqüilo para a entrevista. Nunca se atrase, nunca chegue em cima da hora. Chegue tranqüilo. Se você fizer um percurso conturbado para chegar ao local da entrevista, você já chega nervoso para conversar. Eu prefiro fazer meu planejamento para chegar 15 minutos antes. Dá tempo para organizar minhas idéias antes de me chamarem para conversar.
Não mostre ansiedade ou insegurança. Nunca. A verdade é sua força. Durante a entrevista, sempre perguntam sobre suas aptidões. Se perguntarem sobre algo que você não domina, não finja que sabe. Quando perguntarem sobre conhecimentos ou práticas, fale a verdade. Se sabe, sabe. Se não sabe, pode vir a aprender, por que não?
No caso de ter sido dispensado no emprego anterior, como aconteceu comigo, não importa. Não tente mascarar o que aconteceu. As empresas valorizam a veracidade das informações. Se você se apresenta confiante depois de ter participado de um projeto que acabou suspenso, cancelado, ou se os seus serviços simplesmente não eram mais necessários, não importa!!!! Não tenha medo de falar sobre as tuas conquistas ali, o que você está levando de bom e o que você aprendeu enquanto esteve lá. Vai ser muito bom.
Nunca fale mal de ninguém. É proibido! Pega mal só para você e mais ninguém. Em palavras nuas e cruas: isso só vai “queimar o seu filme” e mais nada.
Sintetizando o que tentei passar nesses quatro pontos, segue uma lista de passos que eu acabei seguindo e deram certo:
- Atualizar o CV;
- Tornar o CV um documento interessante de ler;
- Não dar “tiros para todos os lados”, mantendo o foco nas vagas interessantes;
- Planejar com antecedência a chegada ao local da entrevista;
- Ser franco na entrevista;
- Falar sobre o lado positivo das passagens sobre as empresas;
- Nunca falar mal de ninguém e de nenhuma empresa;
- Destacar pontos positivos e conhecimentos adquiridos das suas experiências anteriores.
Espero que vocês tenham gostado deste artigo. A pretensão não é fornecer uma receita mágica de sucesso nem tampouco prometer uma recolocação no mercado, mas sim mostrar o que eu pude fazer para me recolocar no início do ano.
Em um momento oportuno pretendo falar sobre posturas para uma boa convivência na empresa e atualização profissional.